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ENTREVISTA COM EDUARDO ZOLIN

Hoje eu passo a bola para um grande fã do Filadélfia Eagles e atual comentarista de NFL e College Football da ESPN Brasil, Eduardo Zolin.

Zolin é formado em jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul. Ex-árbitro de futebol americano e fundador da Associação Paulista de Árbitros e Estatísticos de Futebol Americano (APAEFA). Juntamente com Paulo Mancha (link para a entrevista), Zolin escreveu o livro "Os Guerreiros da NFL" , um livro que conta sobre a história da NFL ao longo desses 100 anos destacando a história de cada equipe.


Confira a entrevista exclusiva com Eduardo Zolin!






Quando e como foi o seu primeiro contato com o futebol americano?

O primeiro contato acompanhando o esporte foi em Janeiro de 2004. Período de férias, eu estava numa boa em casa acompanhando notícias e resultados de esportes quando vi que estava acontecendo a final da NFC entre Eagles e Panthers. O que mais me chamou a atenção naquele primeiro momento, além da competitividade, foi que o quarterback de Philadelphia teve uma fratura nas costelas, saiu e voltou pro jogo. Eu fiquei “Como assim? O cara tá machucado e vai voltar?”. Era algo totalmente diferente do que estava acostumado com o nosso futebol da bola redonda, e ali começou a nascer um bichinho que foi fazendo a curiosidade crescer e não mostra sinal de que vai fraquejar algum dia.


Você teve uma passagem como árbitro de futebol americano, me conte um pouco sobre suas experiências ramo.

A arbitragem entrou na minha vida ao mesmo tempo que comecei a ter contato com o futebol americano nacional, primeiramente através dos campeonatos de flag football aqui de São Paulo. Quem me levou pra essa vida foi o Alexandre Branco, que conheci na comunidade do Orkut de torcedores do Eagles e até gravamos podcasts juntos. Ele me chamou pra ver um jogo, comecei a frequentar as rodadas, surgiu o convite para o curso de arbitragem e uma coisa levou à outra. Tive a honra de ser um dos fundadores da Associação Paulista de Árbitros e Estatísticos de Futebol Americano (APAEFA), fiz muitas amizades dentro e fora de campo e tive a oportunidade de arbitrar jogos de grandes equipes nacionais.


Qual partida de NFL que você comentou que mais gostou?

Cada partida tem seu aspecto de singularidade, todo jogo tem uma história que já começa nos estudos e na preparação das informações, até que o desenrolar da partida cria sua própria história. Pra ficar na mais recente, sou obrigado a trazer o Divisional Playoff da AFC entre Chiefs e Texans, que foi último jogo que comentei e que foi a primeira amostra da resiliência do time do Chiefs em uma das maiores viradas da história dos playoffs da NFL.


Como você avalia o futebol americano no Brasil hoje em dia e como o vê nos próximos anos?

Estou um pouco afastado do futebol americano nacional, mas vejo com bons olhos os times investindo em infraestrutura para proporcionar um espetáculo mais atraente. O campeonato é tão forte quanto seu time mais “fraco”, então um direcionamento para que as ligas tenham menos equipes e os times tenham elencos mais treinados, técnicos e experientes pode melhorar o nível de jogo atrair mais público.


Você tem um jogador preferido? Se sim, qual e por quê?

Posso ser clubista? Com certeza eu gosto muito da intensidade em campo de Brian Dawkins, safety que ajudou a crescer meu fanatismo pelo Philadelphia Eagles. Sem dúvidas um dos mais versáteis que eu vi na posição. Mas grandes nomes como Peyton Manning, Joe Montana, Walter Payton, Barry Sanders... Nossa, a lista é infinita!


Conte uma história marcante de alguma transmissão ou cobertura.

Vou aproveitar da última temporada também e citar a transmissão do Pro Bowl, que aconteceu no mesmo momento em que foi divulgada a notícia do falecimento do Kobe Bryant. O que era pra ser um jogo e uma cobertura festiva rapidamente se tornou quase um plantão com notícias, apuração e repercussão do falecimento de Kobe, um dos maiores atletas contemporâneos. Gostar de esportes não se resume à somente uma bolha, sempre acontece um intercâmbio com outras ligas e trabalhar em um momento de perda como esse foi com certeza impactante.


Qual narrador você mais gosta/gostou de trabalhar?

Este é o momento mais político de toda a nossa conversa... Brincadeiras à parte, cada narrador com quem já tive a oportunidade de trabalhar me acrescentou alguma coisa, desde o primeiro teste antes mesmo de ser contratado pela ESPN. E esta é uma filosofia que eu costumo empregar em praticamente tudo o que faço, sempre tente aprender, nunca se acomode, sejam pessoas mais jovens ou mais velhas, todos podemos trocar experiências e crescer juntos.


Nos tempos de árbitro, qual foi o momento mais difícil e o mais gratificante de sua carreira?

O trabalho como árbitro sempre foi desafiador, mas o principal ponto de trabalho para um árbitro é ter entrosamento com a equipe. Não adianta ser o melhor referee do mundo ou o umpire mais estudado da liga se a equipe não trabalhar com harmonia e com segurança, por isso o estudo de regras e mecânicas de jogo é essencial. Não sei dizer exatamente como gratificante, mas um dos momentos em que me senti mais honrado foi quando tive a oportunidade de participar de uma clínica para árbitros de futebol americano com Bill Lemonnier, árbitro da Big Ten e comentarista da ESPN americana. O nível de conhecimento, as experiências transmitidas e a oportunidade de aprender com alguém que já apitou até Copa do Mundo da IFAF e o BCS Bowl de 2011 foi certamente especial.


Como você vê a classe do draft desse ano? Algum jogador superestimado ou subestimado?

A classe de Draft de 2020 apostou muito em wide receivers, obviamente com o destaque indo para Jerry Jeudy e CeeDee Lamb, os melhores prospects da posição do Draft. É chover no molhado dizer que Chase Young terá uma carreira de muito sucesso, salvo por alguma lesão, mas o que mais me intriga a respeito dos novatos nesta temporada é a ausência de uma boa sequência de camps e treinos obrigatórios que ajudam a se aclimatar na NFL e fazer uma transição mais suave. O fato dos times não terem o nível de acesso que costumavam ter aos novatos também levou a algumas escolhas curiosas, como Henry Ruggs III saindo no TOP 15 e AJ Terrell no TOP 20, duas escolhas que eu considerei um pouco antecipadas.


Como você acha que serão os jogos da NFL nesse ano de pandemia?

Os protocolos de distanciamento social parecem ter dado muito resultado nos EUA, mas ainda me intriga o quão impactado pode ser um esporte de contato como o futebol americano. Obviamente os atletas terão que passar por uma série de exigências de distanciamento e talvez até mesmo de regimes de camps longe das famílias, mas minha maior dúvida é referente ao público. O fator casa é vital na NFL contando com o apoio da torcida para afetar a comunicação adversária. Teremos estádios sem público? Barulho artificial de torcida? Os times continuarão apostando em audibles? Existem muitas e muitas dúvidas sobre a liga, mas a ausência de público no estádio pode ser o maior revés para alguns times.


entrevista feita no dia 19 de junho de 2020 Por Gabriel de Campos

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