top of page
Início: Bem-vindo
Início: Blog2

Entrevista com Tercio de Campos




Hoje o convidado é diferente. Não é um jornalista, jogador, técnico ou youtuber. Posso me arriscar dizendo que é um dos maiores entendedores do Los Angeles Chargers no Brasil. Seu nome é Tercio de Campos.

Tercio é formado em medicina pela Santa Casa de São Paulo e especializado em pancreatite aguda pela Universidade da Califórnia, daí vêm os Chargers.

Atualmente é chefe da equipe do Serviço de Emergência da Santa Casa de São Paulo e cirurgião geral da mesma; professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, cirurgião chefe do Hospital Geral de Itapecerica da Serra e doutor no Hospital Santa Isabel em São Paulo.


Teremos histórias sobre seus momentos de torcedor dos Chargers, explicações e esclarecimentos de como enfrentaremos essa pandemia nos próximos meses e de que forma a NFL deve passar a ser em relação aos seus jogos.


Confira essa entrevista fantástica a seguir!



O que fez você torcer para os Chargers?


Quando comecei a me interessar pelo futebol americano, o único jogo que era transmitido para o Brasil era o Super Bowl, através das narrações empolgantes e competentes do Luciano do Valle. Troy Aikman liderou os Cowboys para conquistarem 3 títulos naquela época e este passou a ser o time com que mais me identifiquei. Entretanto, em 2005 me mudei para San Diego na California e passei a acompanhar os times locais. Os Chargers naquela época tinham um quarterback chamado Drew Brees e um Running Back de nome LaDainian Tomlinson. Comecei a entender melhor o esporte e comprei uma camisa número 21 para mim. Naquela temporada os Chargers terminaram 9-7, e ficaram fora dos Playoffs. No ano seguinte dispensaram o Drew Brees devido a uma contusão, ficando com o Rookie Philip Rivers e tiveram uma campanha impressionante. Ganharam em uma sequência a AFC West de 2006 a 2009. Neste momento eu já era um grande fã dos Chargers.


Qual é o seu jogador preferido?


LaDainian Tomlinson é o meu jogador preferido dos Chargers. Foi MVP em 2006 e Hall of Fame em 2017. Outros jogadores dos Chargers têm o meu respeito como Antonio Gates, Philip Rivers e Shawne Merriman. Um jogador que considero incrível é o safety aposentado Troy Polamalu. Impressionante a energia e liderança deste jogador dos Steelers. Gosto muito de jogadores de defesa, principalmente os Defensive End, como JJ Watt e os irmãos Bosa.


Como você acha que a NFL será após a pandemia?


O mundo não será mais o mesmo por um bom tempo, porque não há uma perspectiva realista de a pandemia ser totalmente resolvida no prazo de um a dois anos. A NFL foi menos prejudicada devido à pandemia ter tido seu maior pico na offseason. Isto deu tempo para planejamento e reestruturação. Uma dificuldade que existe nos Estados Unidos é que os estados têm regras e determinações diferentes, principalmente durante a pandemia, o que pode dar um viés relacionado à liberação de treinos, jogos e torcedores. Testar todos é fundamental para deixar o jogo mais seguro. Mas alguns pontos característicos do jogo diferem de outros esportes, como o contato físico. No campeonato alemão de futebol, por exemplo, os jogadores não podem se abraçar nas comemorações. No futebol americano, como você vai convencer o Chris Jones, defensive tackle dos Chiefs a pegar leve com o Derrick Henry, running back dos Titans?



Quais são as suas expectativas para a próxima temporada?


Dois fatores que terão importância neste ano são: tempo de treinamento em alto nível, que de algum modo poderá ser comprometido; e o fator torcida, caso não haja a permissão para a presença de torcedores no campeonato. Com este cenário, os times que terminaram melhor o último campeonato estarão em melhores condições, como os Chiefs, 49ers e Titans. E aqueles com problemas de torcida como os Chargers que jogam os 16 jogos com minoria de torcedores no estádio podem ter uma maior chance.



Qual o melhor time que você viu jogar?


New England Patriots, sem dúvidas. Um domínio de duas décadas em um esporte de alta competitividade não é fácil manter. Méritos para a dupla Bill Belichick e Tom Brady, por construírem uma cultura vencedora no time.



Tem alguma informação importante sobre a COVID-19 que as pessoas não sabem e devem ter conhecimento?


O maior problema desta doença é a falta de conhecimento preciso sobre ela. Todo o conhecimento no momento é baseado em epidemias de outros vírus semelhantes no passado, e em estudos científicos que têm resultados frágeis até o momento. O que funciona é o distanciamento social, mas que não é possível manter por muito tempo. O uso de máscaras e de álcool gel indiscutivelmente é benéfico. Na minha opinião, as máscaras contribuirão de modo significativo para conseguirmos controlar a doença. E acredito que usaremos máscaras por um bom tempo. As máscaras nestes próximos meses serão o que foram os chapéus 100 anos atrás, uma peça do vestuário. Eu já encomendei minhas máscaras com o logo dos Chargers. Deveremos conviver com esta doença por um bom tempo, não em níveis de alarme como os de agora, mas de um modo mais crônico, até que surja uma vacina. A vacina tem sido muito pesquisada, mas até o momento sem resultados concretos. Para os otimistas, poderemos ter uma vacina até o final do ano, para os pessimistas, não conseguiremos uma vacina, e para os realistas poderá demorar entre 1 e 2 anos. Esta é a perspectiva de tempo que temos para a resolução da pandemia.


Qual time você menos gosta na NFL?


O Denver Broncos é um time que me incomoda devido à rivalidade esportiva da divisão oeste da AFC. É o time com maiores participações em Super Bowls da AFC West (8). As derrotas contra Payton Manning quando ele jogou pelos Broncos foram sofridas. Tenho também um problema com o New York Giants devido ao episódio do Eli Manning, que em 2004, foi a escolha número 1 no draft pelo San Diego Chargers, e se recusou a ir para a California, se tornando o quarterback dos Giants depois de uma negociação que envolveu Philip Rivers.


Você assistiu algum jogo da NFL no estádio? Se sim, qual?


Tive a sorte de assistir vários! O primeiro jogo foi em 2005 uma derrota dos Chargers para os Dolphins em San Diego por 23 a 21. E o último foi o Super Bowl LIV em Miami, quando os Chiefs derrotaram os 49ers por 31 a 20. Quando viajo para algum congresso médico nos Estados Unidos, sempre monitoro quais são os jogos que acontecem no país, e a partir daí monto meu roteiro para assistir algum jogo. Assisti uns seis ou sete jogos dos Chargers na California, contando San Diego e Los Angeles. Fui duas vezes até Green Bay levar a minha esposa para assistir o time dela (uma boa ideia é ensinar a esposa a gostar dos jogos). Fomos duas vezes a Londres assistir os London games. Assisti a batalha dos melhores Quarterbacks da década em New England (Brady x Rodgers). E elegi o melhor estádio para se ver um jogo, o dos Cowboys em Dallas.


Gosta de college football? Por quê?


O que mais tenho visto na TV nesta quarentena são os jogos do College Football. É possível ver os grandes astros de agora em suas épocas do College. O jogo é rápido e geralmente com pontuação elevada. Fui ao estádio do TCU Horned Frogs, time do LaDainian Tomlinson, assistir a derrota para o SMU Mustangs. A torcida tem um papel especial nos jogos, com suas bandas e seus hinos, contribuindo para o clima dos jogos.


Diga-me o jogo dos Chargers que mais te deixou feliz e o que mais te decepcionou.


A vitória dos Chargers contra os Chiefs em 2018 por 29 a 28 em Kansas City foi emocionante. Assisti o final do jogo pelo computador no hospital durante um plantão, e tive que comemorar sem gritar. Depois assisti o jogo inteiro com mais calma e comemorando devidamente. O jogo ao vivo mais emocionante foi contra os Titans em Londres, quando a defesa ganhou na última jogada, impedindo uma conversão de dois pontos. Duas foram as derrotas mais decepcionantes, e as duas contra os Patriots. A primeira nos playoffs de 2006-2007 na Divisional Round por 24 a 21 foi muito frustrante. Tínhamos um time para ganhar o Super Bowl naquele ano… Se Drew Brees tivesse ficado por mais um ano, talvez tivéssemos sido campeões. E nos playoffs de 2018-2019, quando acreditava que tínhamos uma chance em New England, mas quando os Patriots dominaram totalmente. Me senti vendo novamente um 7 a 1. O jogo terminou 41 a 28.



Deixe um recado de esperança ao leitor a respeito da pandemia aqui no Brasil.


Tenha paciência e continue seguindo as recomendações que funcionam. Se não precisar sair de casa, não saia. Se tiver que sair use máscaras. A situação vai começar a melhorar, desde que as pessoas mantenham estes cuidados. Não é hora de abaixar a guarda. Continue se protegendo para que todos estejamos saudáveis para aproveitar mais um campeonato de Football.


Comentários


©2019 por Hail Mary Brasil.

bottom of page