Entrevista com J.J Birden
- Gabriel de Campos

- 3 de jun. de 2020
- 6 min de leitura
Hoje o passe vai para o wide receiver LaJourdain J. Birden, mais conhecido por J.J Birden.
Birden nasceu em Portland, estado de Oregon em 1965. Se formou na Lakeridge High School em Lake Oswego, ingressou na Universidade de Oregon para em 1988 ir para o draft. Escolhido pelos Browns na oitava rodada (escolha 256), Birden chegou à tão sonhada NFL. Já adianto que sua jornada não foi fácil.
Nos Browns não teve chance alguma, em Dallas foi cortado no training camp. A oportunidade nos Chiefs caiu como uma luva, obviamente ele não desperdiçou e deu início aos seus grandes momentos no esporte.
Após 4 anos nos Chiefs, Birden assinou com os Falcons e encerrou sua carreira em 1996.
Em 2010 J.J Birden teve seu nome no Hall da Fama esportivo da Universidade de Oregon.
Hoje Birden trabalha como instrutor motivacional e palestrante para empresas, grupos de jovens e seminários de formação de equipes. Também distribui produtos de saúde e bem estar em nome da Isagenix.

Confira a seguir a entrevista exclusiva!
Você passou por Cleveland, Dallas, Kansas City e Atlanta. Qual foi a melhor memória da sua carreira?
A minha memória mais marcante é a do primeiro touchdown que marquei como jogador profissional. Eu era jogador dos Chiefs e fui jogar em Seattle contra os Seahawks.
Eu morava em Portland (Oregon) que fica a duas horas e meia de Seattle, então minha família inteira estava lá assistindo o jogo.
A minha trajetória na NFL, que antecede a minha chegada aos Chiefs, foi marcada por muitos desafios e obstáculos, sem jogar em Cleveland, cortado em Dallas. Então meu primeiro touchdown foi marcado, veio um sentimento de alívio por ter tirado aquele peso das minhas costas.
Qual é o melhor jogador que você jogou junto?
Joe Montana e Derek Thomas. Montana por razões óbvias, um dos melhores de todos os tempos. Mesmo no fim de sua carreira, em Kansas City, ele continuou jogando em alto nível. E também tem Derrick Thomas que era um jogador simplesmente imparável, uma das coisas mais inacreditáveis que eu presenciei foi uma partida em que Thomas fez, se eu não me engano, 7 sacks em apenas um jogo. Ambos incríveis jogadores. Marcus Allen também era um excelente jogador.
Nas suas redes sociais você nos mostra o seu amor pelo Oregon Ducks, seu time do college. Quais são as expectativas para o Justin Herbert nos Chargers?
Justin tem potencial para ser um grande quarterback na NFL, eu só espero que eles (Chargers) não o coloquem logo no inicio, é necessário que ele fique um tempo no banco. Não importa o quão bom você seja, a diferença entre o college e a NFL é muito grande. O jogo na NFL é muito rápido, Herbert precisa de tempo para saber ler quando a pressão vêm e quando há uma oportunidade de passe. Até os melhores precisam de tempo para sentar, olhar e aprender. O ideal é ter um ano no banco de reservas para entrar no segundo ano.
Herbert tem todas as habilidades necessárias para ser um grande jogador.
Quantos grandes momentos você vê que Patrick Mahomes trará para os Chiefs? É possível ser uma nova dinastia?
Com certeza! Esta é uma das coisas que mais me deixa empolgado em relação aos Chiefs. Quando olhamos para o grande time que eles tiveram ao longo dos últimos 20 anos, o que faltava era um franchise quarterback como Mahomes.
Quando se trata de um time vencedor, é fundamental um jogador como Montana e Young foram nos Niners, Elway nos Broncos, Marino, Rodgers, Wilson, Brady, Brees... todos esses times que jogam bem, vencem Super Bowls, são competitivos e têm um franchise quarterback. Agora os Chiefs tem o seu.
Mahomes melhorará muito mais, é um jogador que só tem a evoluir. Os Chiefs tem potencial para escrever uma grande história de sucesso.
Qual é o momento mais alegre de sua carreira como jogador?
Acho que foi o momento em que eu recebi a ligação dos Chiefs para me contratar. No meu primeiro ano eu estava em Cleveland, não joguei, no ano seguinte fui para o camp, fui cortado no camp, depois fui para os Cowboys, passei a temporada inteira no banco sem jogar uma única partida e depois eles disseram que não iam continuar comigo pois não eu seria um jogador de sucesso na NFL. Dois meses depois eu assinei com os Chiefs, tive uma grande offseason, porém no camp eles me cortaram. Passei mais três semanas em casa aguardando uma outra oportunidade. Eles voltaram atrás e me ligaram dizendo que queriam assinar um contrato. Provavelmente foi meu momento mais feliz, quando eles assinaram comigo, me colocaram no elenco eu não conseguia conter a alegria.
Na sua opinião, qual é o melhor jogador da história da NFL?
Quem é o melhor jogador da história da NFL?! Essa pergunta é muito difícil de responder! A liga teve tantos grandes jogadores que foram dominantes em seus tempos...
Eu sei que muitas pessoas não vão gostar disso mas eu tenho que dizer que é o Brady. Ele manteve o alto nível de jogo por muito tempo, agora tem 42 anos com múltiplos Super Bowls conquistados. Ninguém mais fez isso! Ele ganhou muitos títulos, não importa o que você acha dele, não importa o que você pensa sobre os Patriots.
Acho que se Brady se manter saudável, em Tampa Bay, com as peças ofensivas que tem ao seu redor, com o excelente treinador que tem, acho que ele ainda consegue executar grandes feitos.
São tantos jogadores incríveis, O.J Simpson, Terry Bradshaw, Walter Payton, Billy Sims... MUITOS JOGADORES! Essa é uma pergunta muito difícil.
Você tem alguma história engraçada dos bastidores de quando você era jogador da NFL?
Sim! Uma das minhas histórias sobre Joe Montana é a de quando os Chiefs assinaram com ele. Quando soube da notícia eu fiquei surpreso, eu pensava: "Joe Montana realmente fará parte do nosso time!".
Estávamos em um hotel com Montana e Marcus Allen, eu e meus amigos dizíamos "este é Joe Montana e esse é Marcus Allen! Eu não consigo acreditar que estamos no mesmo time que eles". Eu estava na oitava série quando vi Montana ser campeão do Super Bowl em São Francisco.
A primeira jogada do primeiro treino foi a "X Hook" e eu literalmente ia receber o primeiro passe de Joe Montana no Kansas City Chiefs. Chamamos a jogada, eu estava fazendo a minha rota de 12 jardas e ele acerta a bola na parte de trás de meu capacete quando eu ainda estava na décima jarda. Fiquei sem reação. Eu já tinha feito essa jogada milhões de vezes!
Joe me chamou e disse:
"Eu não esperei você ficar livre, eu lancei antecedendo a sua chegada para que virasse antes e pegasse a bola"
Foi nesse momento que percebi que estava jogando com um dos melhores quarterbacks de todos os tempos, ele me ajudou muito a melhorar como jogador.
Há algo que você descobriu sobre o jogo que só viu quando tornou-se profissional? Algo que nós assistindo de fora não reparamos.
Antes eu não tinha noção do quão talentosos são os atletas profissionais. Quando você está no high school e college, acha que é muito bom por ser All State ou All American e não se dá conta de que todos que estão na NFL receberam esses prêmios e muitos outros. É outro patamar de atleticismo. Como eu disse, a velocidade do jogo é outra, muito mais do que no high school, muito mais do que no college, lá todos são exímios atletas.
Também tem os negócios. Você faz parte de uma empresa, exerce aquela profissão. A mentalidade é outra, a responsabilidade é muito maior. É o seu trabalho, é necessário aquilo para sustentar a sua família. Sem dúvidas a motivação é outra.
Tem alguma regra na NFL que se pudesse, você mudaria?
O que eu gostaria que mudasse já mudou, os "Free Shots" no recebedor. Quando os defensive backs amassam os recebedores no ar na hora da recepção.
Agora eles tem uma regra que impede que o marcador te dê um tackle quando você está no alto agarrando a bola com as costas desprotegidas. Muitos já se machucaram com isso, estou muito feliz que eles mudaram essa regra de como os safeties e cornerbacks podem acertar os wide receivers.
Quem foi o seu melhor companheiro de equipe?
Eu tive grandes companheiros de equipe, em Kansas City, em Atlanta, Cleveland e em Dallas também.
Posso dizer que Bryan Barker (punter dos Chiefs) foi um dos melhores. Nós dois éramos free agents, fomos cortados e duas semanas depois ele assinou com os Chiefs novamente enquanto eu assinei na semana seguinte. Ambos casamos no mesmo ano, ambos temos três filhos, dois meninos e uma menina... éramos muito conectados, até hoje somos bem próximos.
Entrevista e tradução por Gabriel de Campos




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