Entrevista com Paulo Mancha
- Gabriel de Campos

- 27 de mai. de 2020
- 4 min de leitura

Hoje inicio uma série de textos semanais onde faço entrevistas exclusivas com pessoas influentes no mundo do futebol americano (jornalistas, jogadores, técnicos e etc). O intuito desse projeto é trazer opinião e muitas histórias do entrevistado. Espero que gostem!
Para dar o kickoff inicial dessa série, nada melhor do que trazer o renomado comentarista da ESPN e editor chefe do blog Viajando por Esporte, Paulo Mancha D'Amaro.
Formado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP), Mancha foi repórter e editor em publicações de editoras como a Editora Globo, Editora Abril e Editora Peixes. Vencedor do prêmio de melhor reportagem em 2012 e 2014 pela Comissão Europeia de Turismo.
Desde 2006 exerce a função de comentarista de futebol americano passando pela Bandsports, Esporte Interativo e agora está na ESPN.
Escritor dos livros: "Touchdown! - 100 histórias curiosas, divertidas e inusitadas do Futebol Americano", "Guerreiros da NFL" (escrito juntamente do também comentarista da ESPN, Eduardo Zolin) e "A Evolução Humana - de onde viemos, para onde vamos" (este não é sobre futebol americano e sim um livro científico).
Em paralelo à carreira jornalística e literária, Paulo Mancha tem uma banda de rock na qual é vocalista, o grupo se chama "Tubaína".
Dadas as informações sobre este ilustre convidado, vamos para as perguntas!
Qual foi a sua primeira experiência com o futebol americano e o que fez você gostar tanto do esporte?
Comecei a ver no final dos anos 80, quando a TV Bandeirantes exibia jogos da NFL no programa Faixa Nobre do Esporte. Mas naquela época eu ainda não me interessava muito, não. Na verdade, eu não gostava de futebol americano até meados dos anos 90. Como quase todo brasileiro, achava que era uma pancadaria e só isso. Até o dia em que decidi tentar entender como era o jogo. Comecei a ver uma partida na TV e me esforçar para compreender. Assim que percebi a mecânica do futebol americano, a complexidade estratégica envolvida, toda a minha aversão se transformou em empolgação pelo esporte. Isso foi mais ou menos em 1995. Depois daí, foi só me aprofundar.
Você tem algum jogo preferido que transmitiu?
O primeiro Super Bowl que comentei, Colts x Bears, em fevereiro de 2007, está no meu coração por motivos óbvios. Sem contar que sempre fui muito fã de Peyton Manning!
Até o momento quais são as equipes que você vê se enfrentando no Super Bowl?
É muito cedo para prever qualquer coisa (maio/2020). Na AFC, os Chiefs continuam tão sólidos quanto no ano passado. Já na NFC, os Saints estão com um timaço.
O que te fez torcer para os Jets?
Em 1998 eu já acompanhava o esporte, mas não tinha um time preferido. Falei: "tenho que torcer por alguém". Justamente nesse ano, o New York Jets deu uma virada espetacular. Ele vinha de duas temporadas horríveis, mas em 98 ganhou a sua divisão e chegou à final da conferência. Além disso, eu já tinha simpatia devido ao seriado Anos Incríveis, em que o protagonista, Kevin Arnold, usava uma jaqueta dos Jets. Mas não sou do tipo "fanático", não. Eu gosto muito mais do esporte em si do que de "um" time.
Qual foi a maior surpresa e a maior decepção desse último draft?
Decepção foi o Green Bay Packers. Quero entender as escolhas iniciais do time, porque foram bem estranhas. Surpresa? Tirando esse caso dos Packers, não houve grandes surpresas, eu acho. Algumas escolhas questionáveis aqui ou ali, é verdade. Mas...
Na sua opinião, quais são os três melhores jogadores da BFA?
Não vi todos os times, mas fiquei impressionado com o safety Callus Cox e o QB Alex Niznak, ambos do João Pessoa Espectros. O Otávio Amorim, OL do T-Rex, é outro destaque, que foi até participar da peneira internacional para a NFL.
Qual o jogo mais emocionante que transmitiu e por quê?
Provavelmente o Super Bowl 52, em que os Eagles venceram os todo-poderosos Patriots com jogadas geniais, a exemplo da "Philly Special".
Há algo irá que nos surpreender na próxima temporada da NFL?
Infelizmente, uma surpresa negativa: a possibilidade de vários jogos em estádios fechados, sem público, por conta da pandemia. Ainda que os EUA estejam começando a retomar a normalidade neste momento (maio), a perspectiva, segundo os cientistas, é de ciclos de abertura e fechamento sucedendo-se, pelo menos até que surja uma vacina eficiente e todos sejam imunizados.
Qual é o melhor jogador de futebol americano da história?
Essa é uma questão impossível de responder. Porque, diferentemente de outros esportes, o futebol americano viu mudanças enormes de regras ao longo do tempo. É injusto comparar o quarterback de hoje, que joga sob regras extremamente favoráveis à sua posição, com um quarterback dos anos 1960, que apanhava muito, não tinha tecnologia a seu favor (ponto eletrônico, tablet na sideline etc.) nem a facilidade de contar com a regra da "interferência no passe", que veio para favorecer o jogo aéreo no final dos anos 1970.
Mas, para não frustrar ninguém, respondo por eras:
1920 a 1980: Otto Graham
1980 a 2000: Joe Montana
2000 a hoje: Tom Brady e Peyton Manning
Como você vê o futebol americano no Brasil daqui a 10 anos?
Em termos de audiência na TV, pode se transformar no 2º maior esporte do país, não tenho dúvida disso.
Em termos de prática, depende muito da economia do país. É um esporte caro, que demanda patrocínios para sobreviver. Mas tem muita gente boa envolvida e trabalhando sério para dar certo. Se a economia ajudar, pode integrar o "Top 5" dos esportes mais praticados no Brasil.
por Gabriel de Campos




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